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Se fosse um segredo eu contava



Sabe aquela onda que todo mundo já ouviu falar mas poucos surfam? Pois é, eu achei que em pleno ano de 2021 seria difícil ainda encontrar uma onda dessas, ainda mais no Rio de Janeiro.

Para quem não sabe, o Rio é uma cidade com quase 7 milhões de pessoas, e parece que todas elas surfam. Não porque a cidade respira surf ou porque você veja surfista em todo o lugar, mas sim porque o crowd é gigantesco. Parece que cada um dos 7 milhões de habitantes tem uma prancha em casa, e que em um domingo de ondas boas, e não muito grandes, todos resolvem ir à praia. O crowd é insano. Não se surfa mais sozinho no Rio de Janeiro nem cedinho pela manhã.

E por esse motivo, já desacreditava que pudesse existir alguma onda pouco surfada ou restrita na cidade. Onde tem surf, tem gente….e muita gente. Mas essa onda existe, e fica bem no meio de onde tudo começou.

A Fortaleza de São João foi construída em 1565 pelos portugueses e foi um marco fundamental da cidade do Rio de Janeiro. A localização, logo na entrada da principal baía do Rio de Janeiro, a baía de Guanabara, foi estratégica. Lá, por um ano, portugueses resistiram as investidas dos franceses e também dos índios tamoios, que já habitavam aquelas terras. Em 1567, a base da cidade que acabava de nascer, foi transferida para um morro próximo, mas a fortaleza continuou existindo e crescendo como ponto de defesa crucial da cidade. De lá até os dias de hoje tudo aumentou exponencialmente, e chegamos a população de sete milhões de habitantes com uma estrutura ainda precária para servi-los. Mas a fortaleza continua lá.

Ali existe uma praia que em condições relativamente raras ( mas tem anos que nem tanto ) quebra com tubos poderosos. É uma onda bem diferente de todas as outras da cidade, e diria que de todas as outras do Brasil. O tubo se forma graças ao costão de pedra, que reflete a ondulação criando uma onda de lado, que vai direto ao encontro as ondas da praia criando o que os surfistas conhecem como triângulo. E que triângulo, é difícil ver uma onda tão perfeita e tão bagunçada ao mesmo tempo.


Mas como toda boa fortaleza, o acesso é restrito. Para entrar é preciso ser militar ou parente de militar, e mesmo assim não é qualquer um. E o surf acontece cheio de restrições, por exemplo, é proibido surfar antes das duas da tarde e também pegar onda mais para o meio da praia, onde de vez em quando quebra uma direita clássica. Então a onda tem horário e lugar para acontecer, mas acontece.

E todos os surfistas do Rio de Janeiro já viram imagem ou ouviram falar da tal “onda do forte”. Mas são poucos os que podem desfrutar.


Nas fotos: Jorge Leão, Gabriel Sodré, Caio Simão, André Paiva, Gustavo Mouta, Diego Saboya e Barrão.








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