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Algumas fases da minha fotografia e o que aprendi em cada uma delas ( parte 1 )


Alan Fendrich, ou simplesmente Cocô, em uma das primeiras fotos legais em baixa velocidade que tenho em meus arquivos. Ano: 2007.

Esse é um post que decidi fazer em três partes, respeitando uma certa ordem cronológica de alguns fatos. Resumidamente quero, além de dar algumas dicas pontuais, mostrar como fui construindo o olhar e a narrativa das minhas fotos ao longo do tempo.


1 - O início


Pode parecer simplista, mas acho que um passo importantíssimo em todo esse processo é o de começar. Não importa as condições, o importante é dar o primeiro passo. Digo isso pois a fotografia de surfe parece meio assustadora inicialmente, com seus equipamentos caros e complexos, mas isso nunca pode ser uma barreira para quem quer fotografar. Existem registros de surfe de décadas atrás, quando o melhor equipamento não se igualava a algo mediano dos dias de hoje. Então se a vontade é de fotografar, basta uma câmera simples e a iniciativa. Eu realmente comecei com um equipamento bastante primário e lentes que não eram adequadas para o surfe, mas ali pude ter certeza que estaria disposto a ficar na areia, nas mais diversas condições, para acompanhar aqueles movimentos.


Eu perdi todo o meu arquivo de antes de 2007, então essa é uma das primeiras sessões que tenho guardada. Mickey Bernardoni em São Conrado.

Foi nesse início também que comecei a entender sobre a luz e a explorar o modo manual da câmera, que uso até hoje. Além de usar o fotômetro da câmera, aprendi que em um dia de sol e condições ideais na praia você pode se basear na regulagem 1/500 de velocidade, f8 e ISO 100, ou algo bem próximo disso. Essa configuração funciona muito bem para o surfe, mas o mais interessante é que ela serve de base para variações. Partindo dela, se quero aumentar a velocidade, devo diminuir proporcionalmente o valor do diafragma ( o que consiste em aumentar a sua abertura ) ou então aumentar o ISO, ou até as duas coisas ao mesmo tempo, mas sempre mantendo as proporções da medida inicial. Pode parecer complicado aqui, mas isso me deu uma enorme segurança para trabalhar em diversas condições de luz, e começou a abrir minha cabeça para a fotometragem e as diferentes regulagens.


Outra coisa importante dessa fase foi me habituar ao foco automático da câmera. O modo AI-Servo ( no caso da Canon ) é uma grande ajuda para fotografar surfe, mas requer uma pequena prática.


Jesse Mendes. São Conrado. 2008.

Quando estava certo que queria investir mais na fotografia, achei interessante adquirir uma lente mais “potente”. Minha primeira teleobjetiva para o surfe foi uma 75-300mm, dessas pretinhas que tem o preço mais acessível. E posso dizer que com ela já fiz até capa de revista, ou seja, é uma lente bacana, mas que tem algumas desvantagens. Só que uma das suas vantagens é a grande variação do “zoom”, e foi explorando isso que comecei outra fase da minha fotografia.


2 - Abrindo a mente e o quadro


Felipe Cesarano e Marcelo Trekinho na Prainha e Leblon

respectivamente. 2007 e 2008.


Confesso que logo que comprei a lente 75-300mm minha intenção era chegar o mais perto possível do surfista. E por algum tempo só tentava isso. Uma lente 300mm tem um ótimo alcance, mas em certas condições deixa um pouco a desejar, principalmente para quem quer se aproximar ao máximo. Foi por aí que comecei a fazer fotos com o quadro mais aberto e a reação dos outros foi bastante surpreendente. Isso me fez abrir a cabeça. O olhar de outra(s) pessoa(s), então, foi importante para entender alguns caminhos interessante para seguir. Acho que qualquer tipo de manifestação artística deve considerar a opinião de terceiros, e como a fotografia se apoia quase que completamente no visual, os olhares são sempre relevantes. Percebi aí, o que agradava mais, ou menos, as outras pessoas, e pude acrescentar um pouco disso em meu próprio olhar.


A baía de Guanabara já bombava em 2008. Acho que por aí eu começava a procurar diferentes cenários.

Consequentemente, ao abrir o quadro, comecei a trabalhar com os planos e com a abertura do diafragma, que influencia no foco e sua profundidade. Aí comecei a perceber os efeitos das lentes nos planos da foto e como usá-los. Depois de um tempinho fotografando, começava a desenvolver um estilo próprio e também a perceber o quanto isso é importante.


Assim consegui as minhas primeiras publicações em revistas e algum reconhecimento. Comecei a explorar os diferentes cenários do Rio de Janeiro sempre com a idéia de usar parte da paisagem em algum plano da foto. E assim fui aprendendo diversas coisas sobre o quadro. E fui acrescentando variantes, sempre pensando em como explorar o máximo do quadro sem perder a ação. Isso foi uma lição importante também, não adianta você ter um quadro lindo sem um surfe decente. Fotografando, você aprende muito sobre o surfe em si, as melhores manobras, estilos e momentos. Noção de linha, de posicionamento e das próprias ondas é essencial para desenvolver as fotos.


Reserva e o surfista japonês

Masatoshi Ono no CCB da Macumba. Ambas

fotos no ano de 2008.


A partir de então fui me aprimorando nesse tipo de foto e me tornando bem mais íntimo da câmera. Acho que existe um momento em que você perde o medo de errar e tudo parece bem mais simples na hora de fotografar. O surfe é bastante tenso nesse sentido, pois os momentos nunca se repetem, mas aos poucos você vai entendendo a dinâmica do mar e o tempo de cada onda.


Gabriel Garcia no Recreio. 2009.

Ipanema do alto e mais uma do

Alan Fendrich em São Conrado.



A laje de Ipanema. 2010.

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